Para quem ainda não sabe do que se trata, é um cap. do livro "O Carrasco do Amor" (achei tb como O Executor do Amor), de Irvin D. Yalom.
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Por incrível que pareça, não tive nenhum tipo de identificação com a personagem.
Explico:
Betty tinha 1,55cm de altura, 115kg e era do tipo "gorda feliz".
Bom, não posso negar que meu humor é negro e muita gente me acha "a engraçada".
Mas não faço questão que me considerem assim, e muitas vezes meu humor é dos piores. Na verdade por mais bem humorada e traquila que esteja, carrego o estigma da "mal-humorada e estressada eterna".Sou fechada mesmo.
Acho que sou meio extremista, já fui pior, mas o caminho aqui ainda é longo.
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Foi aí que lembrei de um comentário recorrente dos meus pais durante toda a minha vida.
Eles diziam que o motivo do meu mau-humor era o excesso de peso, e era mesmo.
Pra falar a verdade, até hj minha mãe acha isso, o que me deixa chocada, pois certamente o excesso de peso faz parte das coisas que me deixam mal, mas eu cresci e o universo de situações estressantes aumentou bastante (vida, trabalho, problemas em geral)
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Tudo isso me fez pensar que, para a sociedade, se o gordo é feliz tá fingindo, e se é mal-humorado é por conta, única e exclusivamente, da obesidade, pois é mal amado, sacaneado e tudo mais.
Resumindo, os gordos não tem saída, pq para os olhos dos outros sempre serão "assim ou assado" pq são gordos.
Na minha opinião, então que se dane. Pronto. Sou como sou e nem tô aí com relação ao que pensam de mim.
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Bom, tem outra coisa interessante no texto: O médico é gordofóbico.
Senti isso na consulta com a proctologista.
Quando ela disse que meu problema era por conta da obesidade, fiquei puta da vida, pq nenhum estudo comprovou qual o motivo real do surgimento de cisto pilonidal.
Fora isso, tive "crises do cisto" mesmo qdo pesava 57kg.
Além do mais, ela me pareceu meio distante com relação ao que sentia, afinal, na cabeça dela tudo era pq eu certamente deveria comer d+, o que de fato não é o caso, acreditem ou não.
Mas certamente a relação médico gordofóbico-paciente obeso com alguém que vai mexer com sua cabeça é muito mais tensa, do que um especilaista esporádico.
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Depois de ler aquilo tudo e ver os motivos pelos quais a Betty comia horrores, tentei pensar em algo que justificasse o meu peso, algo psicológico... traumas, vergonhas, restrições... achei algumas de infância, mas me pergunto se isso me faz mal ainda hoje. Sei não.
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Quando eu era criança, já fofinha mas nada obesa, meu pai me colocava milhões de apelidos pejorativos e o que mais marcou foi "bolo fofo". Isso acabou com minha auto-estima.
Com toda a certeza achava que aquilo poderia abrir meus olhos para o emagrecimento, afinal minha irmã era um graveto de magra perto de mim, mas longe dela eu era bem normal, afinal sempre fui mais alta e ossuda que minha mana.
Somado a isso, fui sacaneada e xingada na escola desde muito cedo, o que de certa forma, apesar de não gostar, eu achava aceitável, afinal meu pai fazia aquilo comigo dentro de casa.
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Assim cresci, meio revoltada, fazendo dieta, tomando remédios desde os 7 anos de idade, sendo vigiada e comparada com minha irmã 24h por dia.
Só consegui emagrecer aos 14 anos de idade, qdo pesava 84kg com 1,73cm e achei um bom médico.
Gastei uma grana naquela época (meus pais), mas logo voltei a engordar qdo parei com a medicação.
O dificil pra mim sempre foi a AF, não a RA.
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Voltando ao livro.
No final das contas, a Betty emagrece, supera várias barreiras, e é aí que descobrimos que a personagem também é gordofóbica. Em um trecho ela diz:
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"...não suporto as pessoas gordas. Elas revolvem meu estômogo."
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Isso também me colocou a pensar.
Já tive minha fase de ter horror de olhar gente gorda, mas passou (rrssssss).
Imagina só, eu sou gorda, como posso condenar alguém que é gordo?
Na verdade eu morro de medo de ficar mais gorda do que meu limite máximo até hj, tanto é que gordo que me chama a atenção são os enormes mesmo.
Eu era mais avessa a gordos qdo magra (57kg), modelo, poderosa, bonitona, mas de certa forma aquela sensação ou sentimento fazia sentido pra mim, afinal era algo que eu não queria voltar a ser, GORDA, engordar os 33kg que havia eliminado passando muita fome e tomando muito remédio.
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Agora, o mais importante de tudo no texto (pra mim), é quando o terapeuta aborda a questão do medo da morte que Betty sentia.
Em um trecho ele diz:
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"...eu viera a acreditar que o medo da morte sempre é maior naqueles que sentem que não viveram plenamente suas vidas. Uma fórmula funcional muito boa é: quanto mais a vida não é vivida, ou o POTENCIAL NÂO REALIZADO, maior a ansiedade da morte."
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Você tem medo de morrer?
Eu não. Tenho receio de como será minha morte.
Sei lá, muita gente me acha fria, dura e cruel, mas morte pra mim é algo tão inexoravelmente evidente que não posso temer, mas temo ficar doente por anos, sofrer demais...
Olhando pelo lado da vivência, fiz muita coisa nesses quase 30 anos. Lancei-me em vários projetos, bons ou furados, e relativamente cedo.
Apesar de ser uma medrosa e pessimista de carteira (acho que tudo que está ruim pode piorar), nunca me permitir travar diante do novo, e pra falar a verdade estou sempre em busca disso.
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Bom, é isso, gente.
Esses foram os pontos que mais me marcarm no texto, e vou comprar o livro para ler. Adorei!
Quem ainda não leu, vá na blog de estudo da Vânia.
Vale à pena d+.
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Beijos